terça-feira, 5 de junho de 2007

Rua das Tentações

Os caretões Sam e Alex chegam à casa da mãe Joana: Tudo pode acontecer.
Mais uma boa pedida para aquela pausa nas plantas baixas, cortes elevações e perspectivas: Quase sem querer, topei com "Laurel Canyon", filme independente de 2002, da ainda desconhecida diretora e roteirista americana Lisa Chlodenko, numa dessas madrugadas zapeando pela TV a cabo. É um filme que está em várias locadoras (eu mesmo já vi na minha, mas nunca pensei em pegar).
"Laurel Canyon" mostra uma ironia e desprendimento normalmente ausentes no cinemão americano... E é uma história muito bem contada: Sam, um médico psiquiatra recém-formado em Harvard, quadrado e caretão (Christian Bale, competente), muda-se para L.A. a fim de estagiar em um hospital local, levando consigo Alex, sua retraída e tímida noiva (Kate Beckinsale, espetacularmente bela), de família puritana e tradicional, que busca tranqüilidade para terminar uma complexa dissertação de mestrado em genética.
Chegando à casa em que ficariam e que, supostamente, estaria desocupada, na chique e tortuosa Laurel Canyon Boulevard (uma rua que existe mesmo, serpenteia morro acima proporcionando paisagens espetaculares), deparam com Jane (Frances McDormand, uma das melhores atrizes americanas da atualidade, impecável como sempre), a permissiva e porra-louca mãe de Sam, uma conceituada produtora musical que vive como se estivesse nos anos 70, às voltas com a finalização (em um estúdio localizado na casa, diga-se de passagem) do álbum de uma banda moderninha, com cujo vocalista, bem mais jovem do que ela, adora trocar amassos, fumar um e beber até cair.
A partir daí, o choque de realidade que desaba sobre Sam e Alex provoca uma espiral de acontecimentos com desfechos imprevisíveis... Alex, que passa os dias na casa, relegada à solidão em um mundo diametralmente oposto ao seu, busca estímulo para continuar seu extenuante trabalho enquanto começa a simpatizar com a sogra e a se interessar cada vez mais por aquele clima "sex, drugs & rock´n roll" que permeia o ambiente, passando cada vez mais horas no estúdio de gravação e menos ao notebook... Sam, enquanto isso, alheio ao isolamento da noiva, entra em conflito com sua mãe, a qual desdenha de sua caretice, e aproxima-se de Sara, uma residente israelense de seu hospital (Natascha McEllhone, a enigmática terrorista de "Ronin").
Enfim, Um filme que vale a pena, e que fala de realidades conflitantes e, principalmente, sobre como podem ser frágeis os laços que unem as pessoas, seja lá qual for seu grau de relacionamento, e do quanto é preciso dar atenção, sempre, aos que nos cercam, a fim de manter o vigor dessas ligações. Olho vivo na camiseta do AC DC, e em quantos corpos ela vestirá ao longo da película.
Mas que diabos isso tem a ver com arquitetura? Nada, oras... mas é preciso viver, para além do CAD e da prancheta. Veja o filme, tome uma cerveja, relaxe, namore...
Ah, mas essa casa, em Laurel Canyon, é bem legal:

Projeto do escritório Orenj, de Los Angeles. Mais informações e, de quebra, dica de outro blog bem legal, que fala de arquitetura e afins:

http://www.tropolism.com/2007/01/tropolism_buildings_the_laurel.php

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